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Joaquim S. chega ao Brasil, oriundo de Portugal, trazendo em sua mente o sonho de transferir para este país o centro de estudos espíritas baseados nas obras de Kardec, que já funcionava há mais de 50 anos em seu país de origem. Em 1958 o sonho se realiza com a fundação do centro, chamado “Grupo Espírita Casa do Calvário”. A palavra calvário para o Sr. Joaquim não inspirava a idéia de sofrimento, representava, antes de tudo, a vitória e o amor de Jesus. Esse verdadeiro discípulo de Jesus, com o apoio de seus filhos Jorge e Paulino, organizou e realizou os trabalhos do Grupo, tendo como mentor espiritual o Irmão Ismael.
Algum tempo após de exercício das práticas espíritas e como se sua meta já houvesse sido cumprida, o Sr. Joaquim deixa este plano de vida e retorna à Pátria Espiritual. Diante dessa nova situação a direção do Centro fica sob a responsabilidade de seus filhos Jorge e Paulino, além da esposa deste, Hilda. A Sra. Hilda se aplicava às atividades da casa com muita intensidade, distribuindo palavras de conforto, carinho e amor, de forma muito atenciosa e paciente. Por essa razão era amada, respeitada e considerada por todos como uma verdadeira mãe. Ainda, dedicava-se à assistência social, costurando roupas para os mais necessitados.
No ano de 1962 começa a ser traçada uma nova etapa do Centro, que se localizava na Rua Almirante Barroso, no Brás: um novo casal se agrega às atividades, Sr. Chico e Sra. Ana. Ela de família espírita e ele freqüentador e trabalhador da Federação Espírita do Estado de São Paulo, onde tinha realizado todos os cursos. Inicialmente participavam como freqüentadores quando uma senhora, inspirada pelo plano espiritual, fala ao orientador Sr. Jorge que na platéia existia uma pessoa com condições de ajudar nos trabalhos e a partir daí ativa participação inicia-se.
No começo do ano de 1963, aconselhado pelo Sr. Francisco, é convocada uma reunião de diretoria para que o centro fosse legalizado e ter seu próprio estatuto. Essa reunião, presidida pelo Sr. Jorge, ocorreu em 5 de setembro de 1963 e em uma de suas pautas constava a mudança do nome do centro. Após várias apreciações, ficou estabelecido o novo nome “Centro Espírita do Calvário”. A presença do Irmão Ismael, mentor espiritual dos trabalhos, através da mediunidade do Sr. Paulino manifesta-se: este manteve amistosa palestra e antes de se retirar pediu que esforços não fossem poupados para que se cumprisse fiel e inteiramente a finalidade doutrinária e de estudos Kardecistas da instituição. Também o espírito Joaquim S. se comunica felicitando e incentivando a todos.
As atividades do centro continuaram por breve período sob a direção do Sr. Jorge, até seu desencarne, sendo que a Sra. Hilda também há cerca de um ano tinha retornado para o plano espiritual, quando então assume o Sr. Francisco a direção dos trabalhos. Nesse período a capacidade mediúnica de Dna. Ana acentua-se e causa estranheza nas pessoas pela mediunidade tão marcante, através de quadros de vidência, mensagens e orientação espiritual, onde muitas vezes inspirada pelos mentores era ela que indicava quem iria ser atendido.
As tarefas transcorriam rotineiramente quando Dna. Ana teve a iniciativa de começar captar recursos financeiros através da prática de rifas, bingos, jantares, bailes, etc. para tentar no futuro adquirir uma sede. E assim diversos anos transcorreram quando foram informados que o imóvel da sede (sobrado alugado) seria colocado à venda e diante a impossibilidade da compra restou a realização de um acordo com o novo proprietário para a permanência por um período sem prazo definido e sem pagamento de aluguel. Porém, decorrido um pouco mais de um ano, no início de 1975, e quando não se falava mais em mudanças o imóvel teve que ser entregue rapidamente e a única opção, naquele momento, foi o de dividir as despesas de um salão situado à Rua Conde Prates, na Mooca, onde um grupo praticante de Umbanda realizava seus trabalhos e também procurava compartilhar seus custos gerais.
A convivência entre os grupos era pacífica. Às segundas e quartas feiras o salão pertencia ao uso do Centro e as sextas e sábados o outro grupo o ocuparia para a prática de seus trabalhos. A despeito dos trabalhos transcorrerem no mesmo ambiente físico não existiam conflitos em função da não existência de quadros, velas, bebidas ou imagens no local. Porém, pela natureza das tarefas espirituais, as vibrações não eram compatíveis e começava a afetar a energia e sensibilidade dos médiuns, mas a Divina Providência concorreu para ajeitar a situação. O grupo umbandista muda-se para Santos, onde adquiriram uma sede própria e deixam o salão para uso exclusivo do Centro, o qual permanece nesse local durante dez anos.
Mesmo Dna. Ana assumindo outras atividades no grupo não interrompe sua campanha de captação de recursos, pelo contrário, seus esforços se intensificam na busca da realização do sonho, ajudada pela Dna. Ruth, uma grande amiga e companheira que a acompanhou nos momentos difíceis, quando contaram também sempre com o suporte espiritual dos queridos amigos “Pai João“ e “Irmã Chiquinha”.
O Centro permaneceu instalado na Rua Conde Prates de 1975 a 1985, anos estes que se caracterizaram por tempos de luta, de fé, trabalho e muito sacrifício para conseguir concretizar o sonho. O Sr. Francisco já vinha procurando um imóvel quando se depara com anúncio de um salão de fundos situado na Rua Avai, Mooca, vai conhecer o imóvel, contudo não fica muito empolgado porque o salão era um galpão anteriormente utilizado por uma oficina injetora de plástico, com paredes e chão negros, manchados pelo uso de graxas, óleos e todo tipo de óleo de máquinas operatrizes. Apesar de frustrado e decepcionado resolve, “por alguma razão”, levar a esposa para conhecer o local. Dna. Ana, assim que entra no galpão e, segundo seu próprio depoimento, lhe é mostrado mediunicamente o salão como se encontra hoje, ou seja, um ambiente harmonioso e limpo, paredes pintadas de azul e branco e com a mesma disposição das cadeiras e balcão, tudo iluminado e bonito.
Uma reunião de diretoria é convocada e com entusiasmo aprova-se o projeto de compra do imóvel. O dinheiro arrecadado durante os quase vinte anos somava a quantia exata para a aquisição. Depois de uma pequena reforma, a mudança ocorre no dia 31 de março de 1985. O sonho enfim se transformara em realidade.
Em junho de 1999 ocorre o desencarne do Sr. Francisco, contudo o Centro, orientado por seus mentores, continua praticando ao longo do tempo suas atividades de ordem espiritual, através de trabalhos de curas espirituais, estudos evangélicos, palestras e atendimento fraterno.
O Centro, que até então era um pronto socorro espiritual, é elevado pelo Plano Espiritual à categoria de hospital, auxiliando tanto encarnados quanto os desencarnados que para lá se encaminham, esperançosos, em busca de consolo, paz e equilíbrio.